Em três anos, Brasil perdeu 110 estudos clínicos

Os dados são da Associação Brasileira de Organizações Representativas de Pesquisa Clínica, que analisou informações dos últimos anos e apontou que 2015 foi o ano que o país mais perdeu pesquisas clínicas: 43. Em 2014 deixaram de ser feitas 36 e em 2016, 31. A redução entre 2015 e o ano de 2016, segundo o levantamento, pode estar na agilidade em aprovar os processos de estudos. Em contrapartida o que pode ser considerado um entrave é a obrigatoriedade de fornecer a medicação pós-estudo. 

A enfermeira do Centro de Novos Tratamentos Itajaí, Karyn Albrecht Siqueira De Maman atua nesta área há nove anos e afirma que além do Brasil perder a confiança dos patrocinadores, devido a obrigatoriedade do fornecimento dos remédios e ficar sem estudos por causa da demora, outro problema é enfrentado: pouco tempo de recrutamento. ” Quando chega a nossa vez de oferecer essa possibilidade às pessoas, temos pouco espaço para incluí-las. Atualmente, o Brasil inclui uma média de 20% do total de vagas oferecidas no mundo. Já tivemos caso de um estudo ficar aberto para recrutamento 2 semanas. Em outros países, o prazo foi de 8 meses”, explicou.

Os números do Clinical Trials, único site responsável por reunir todos os estudos disponíveis pelo mundo, comprovam que o Brasil está bem atrás dos Estados Unidos na questão de estudos. Os EUA concentram hoje o maior número de estudos clínicos no mundo: 32.083 abertos ou já concluídos para a área do câncer, enquanto no Brasil, são 1.083, aumentando de forma bem lenta. Outro dado importante é o tempo de espera: enquanto em alguns países da América os estudos são liberados em 3 meses, no Brasil a espera pode durar até 15 meses. “ É sem dúvida um passo importante para a área médica e científica. Estamos vendo todos os meses novos medicamentos sendo aprovados fora do país e isso significa a possibilidade de aumentar o tempo e a qualidade de vida dos pacientes. E estamos falando de dados que já apontam resultados surpreendentes, com uso de medicações como a imunoterapia, apresentada em 2015 no maior congresso de oncologia do mundo”, explicou o médico oncologista do Centro de Novos Tratamentos Giuliano S. Borges.