HPV: Vírus que pode causar câncer em várias partes do corpo

Mulheres que têm o hábito de ir regularmente ao médico já ouviram falar do temido vírus HPV (Papilomavírus Humano). O grande problema é que muitas não costumam se consultar. Segundo a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, 52% das mulheres brasileiras não fazem o exame de prevenção – conhecimento como Papanicolau.

O alerta aumenta quando os homens descobrem que também estão na lista de pacientes propícios ao vírus. O HPV pode causar, em homens e mulheres, alguns tipos de câncer, como: de borda de língua, no pênis, no canal anal e no colo do útero. Todos transmitidos através da mucosa do paciente infectado, sendo propagado através da relação e do contato sexual.

Ainda pouco falado, o vírus vê na região da borda de língua um local propício para proliferação por ser um ambiente úmido e escuro. O paciente que recebe o diagnóstico e inicia o tratamento pode ter que passar por procedimento cirúrgico. “Na cirurgia buscamos retirar somente a parte afetada da língua, o que geralmente não compromete a mastigação ou paladar, isso ocorre em poucos casos. Na maioria das vezes sessões de rádio ou quimioterapia solucionam o problema”, afirma o médico oncologista Giuliano Borges, responsável pelo Centro de Novos Tratamentos de Itajaí.

Para evitar que na fase adulta a pessoa exposta ao HPV contraia a doença, o Ministério da Saúde disponibiliza vacinas de graça nos postos de saúde. É um primeiro passo para a prevenção de câncer. A imunização pelo SUS está disponível para meninos –  com idades entre 11 e 14 anos – e meninas – entre 9 e 14 anos de idade. A escolha dessa idade para imunização é porque geralmente nesta faixa etária os meninos e meninas ainda não tiveram contato com o vírus. Para adultos, a vacina está disponível somente na rede privada.

De acordo com o médico oncologista Giuliano, em países de primeiro mundo dificilmente há registro de paciente com HPV, pois a população, em geral mais instruída, reconhece que a prevenção é a principal maneira de evitar a doença. “A procura pela vacina, que vai tornar a pessoa imune ao HPV, é baixíssima aqui no Brasil.  Falta conhecimento sobre a eficácia das doses. Além disso, as mulheres brasileiras não têm o hábito de realizarem o exame preventivo e as pessoas realmente não usam preservativos nas relações”, afirma o médico especialista.

Outra realidade que demostra a baixa prevenção, é que muitas mulheres com câncer de colo de útero, causado pelo HPV, às vezes, têm o vírus há anos. Ele fica escondido no fundo da vagina e elas demoram para descobrir, pois não vão ao médico. Apesar disso, com um diagnóstico precoce as chances de cura chegam a 100%. Ainda assim, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que todos os anos no Brasil surjam 16.340 novos casos de câncer de colo de útero.

Para os homens que contraem o câncer de pênis, também através do HPV, o diagnóstico é mais visível, pois aparecem espécies de verruga no órgão genital e o paciente vai em busca de orientação médica. No canal anal o principal sintoma do câncer, também causado pelo HPV, é o desconforto e o sangramento.