Pacientes com câncer podem fazer parte de pesquisas clínicas

A ciência e a tecnologia têm buscado soluções que possam facilitar e resolver problemas do mundo moderno. Na medicina não é diferente. O setor procura alternativas que tratem e curem doenças. Neste segmento, surge o estudo clínico, processo que aplica – em fase de testes – novas medicações em pacientes, antes das mesmas serem lançadas no mercado. Um processo seguro, com acompanhamento médico, e de graça.

A cidade de Itajaí sedia o local referência nessas aplicações no sul do país, é o Centro de Novos Tratamentos, que está com duas pesquisas abertas recrutando pessoas, maiores de 18 anos, com diagnóstico de  câncer e queiram fazer parte desse método. O grande diferencial desses tratamentos é a busca pela redução do efeito colateral, garantindo qualidade de vida inclusive no processo de aplicações dos remédios. Além dos excelentes resultados alcançados no que se refere a diminuição de tumores e  possibilidade de elevação da sobrevida do paciente.

O INCA afirma que em 2018, o Brasil terá 36.360 casos de câncer Colorretal, tumores no intestino grosso e no reto. E a região Sul é a segunda com maior número de pacientes com diagnóstico, serão 6.730. Para tratar a doença, o Centro de Novos Tratamentos Itajaí também está com estudos abertos recrutando de graça homens e mulheres com esse tipo de neoplasia. Os testes da medicação iniciaram em 2016 e encerram em julho do ano que vem. No mundo, 645 pessoas receberão as doses que combatem a doença, que é a 4ª principal causa de morte por câncer no país.

Para as pessoas com metástase, uma patologia que causa muita dor, o Centro de Novos Tratamentos, do mesmo modo, está chamando os pacientes para fazerem parte do estudo – que está na 3ª fase e busca diminuir o sofrimento. O medicamento utilizado na pesquisa age juntamente com a morfina ou outros medicamentos desta classe, porém ele é oferecido em doses aplicadas de 2 em 2 meses, enquanto na morfina o uso é diário e muitas vezes não é eficaz para tratamento total da dor. No Brasil há somente 8 lugares que fornecem, sem custo e com acompanhamento médico esse medicamento e o único de Santa Catarina é o Centro de Novos Tratamentos Itajaí. Os outros ficam: 6 no estado de São Paulo e 1 no Rio Grande do Sul.

Todo medicamento que hoje está no mercado, nas prateleiras das farmácias, já passou por testes e estudos, como estes citados. O processo é fundamental para comprovar o quão eficaz é o produto. Mas o Brasil ainda precisa evoluir neste item, mesmo tendo o 6º maior mercado mundial de medicamentos. Entraves e burocracia fizeram com que o país perdesse, nos últimos 7 anos, 242 estudos clínicos, ou seja, cerca de 12.844 pacientes deixaram de ser atendidos, segundo a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa – Interfarma. Uma perda grande para a sociedade, que poderia ter curado muitos doentes e para a medicina que deixou de evoluir.

Uma ideia de quanto precisamos crescer, é que no Brasil leva-se, em média, 12 meses para aprovação de pesquisa, enquanto nos Estados Unidos o tempo é de menos de três meses.

No mundo há 390,25 mil estudos em andamento. Para mantê-los ativos é necessário, além de apoio do governo, que os pacientes recorram aos tratamentos disponíveis na pesquisa clínica, para que os investimentos prossigam na área e a evolução na saúde aperfeiçoe  cada vez mais.